Definido nos moldes que os ativistas de inclusão digital vinham reivindicando há tempos, o programa tem um braço que cuida da infraestrutura (equipamentos, conexão e mobiliário) e outro que trata de formação e bolsas para jovens monitores.
Com muita empolgação o Coletivo Digital se apresentou e foi aprovado nos dois Editais abertos, num deles para representar 15 telecentros a serem apoiados no Estado de São Paulo e no outro para ser o Polo Estadual São Paulo da Rede Nacional de Formação para Inclusão Digital, braço responsável pela formação dos monitores.
Programa passa por um momento crucial
Acontece que hoje estamos numa encruzilhada: A Rede de Formação conseguiu se articular de forma inédita, operou transformações no que inicialmente havia sido proposto, optando por adotar um trabalho coletivo na formulação de seus conteúdos - um produto nacional que pode ser aproveitado e utilizado por vários organismos e que oferece uma formação cidadã para trabalhadores em projetos de Inclusão Digital. Este resultado foi alcançado graças à militância e o empenho dos sete Polos regionais e do polo Nacional que compõem a Rede.
Porém, não é possível tornar visível todo este trabalho porque o lado da infraestrutura do Programa não conseguiu andar.
O prejuízo que isso traz não é de se ignorar: além de desgastar a credibilidade das instituições que se envolveram para tocar o maior programa de inclusão digital deste país; opera um desgaste enorme para as comunidades que estão esperando, sem ter perspectivas claras, para ver seus telecentros em pleno funcionamento.
Isso traz descrédito para políticas públicas. Não podemos nos permitir conviver com isso.
Proposta feita no Seminário
Por isso, destacamos no Seminário da Campanha Banda Larga é um Direito Seu! o ponto central, nevrálgico e que coloca mais um xeque mate nas negociações do Plano Nacional de Banda Larga: não é de se esperar que um governo democrático - na medida em que abre tantos negócios às Teles dentro do PNBL - coloque como contrapartida para as Teles que elas resolvam o problema de conexão dos oito mil telecentros do Programa Telecentros.BR que estão há, pelo menos, um ano suportando o atraso no cronograma oficial?
Isso para não falar do apoio que também poderia ser dado a outros equipamentos públicos, como os Pontos de Cultura, por exemplo, que previam acesso coletivo e gratuito.
Saldo do descompasso no Programa Telecentros.BR
A ausência de conexão impede que os telecentros aprovados no Edital do programa entrem em funcionamento. Isso impossibilita o Programa de receber os jovens bolsistas que trabalhariam como monitores destes telecentros e impede estes jovens de aderirem à Rede Nacional de Formação para Inclusão Digital que poderia estar atendendo 16 mil jovens e, hoje, não consegue atender nem 10% disso.
Isso é motivo de preocupação para todos nós que estamos na luta por políticas sociais públicas e mais ainda, para todos nós que estamos envolvidos em fazer acontecer e aparecer todo trabalho da Rede Nacional de Formação para Inclusão Digital e do Programa Telecentros.BR
Artigo publicado originalmente em 03/10/2011
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